Nossas diferenças
Como repórter de Política, frequento ambientes que não coincidem, exatamente, com a minha classe social. Dado um certo deslocamento, que é natural, não chego a destoar tanto - eu imagino - por conta da etiqueta que aprendi, com o tempo, a manejar, para garantir certa discrição. Esse intercâmbio de universos (econômico, social e cultural) distintos, entretanto, faz parte da liturgia do jornalismo, uma vez que contar fatos políticos, muitas vezes, depende de transitar por espaços de poder e conviver - num certo nível de intimidade - com pessoas que nunca frequentarão a minha casa. A vivência com pessoas ligadas ao poder, ou de classes sociais superiores, em atos políticos formais, festas, solenidades, bares, cinemas, teatros e eventos acadêmicos, nesse sentido, gera um estranhamento que sempre me assalta a imaginação, quando estou caminhando pelas ruas do Centro do Recife, ou distraído na janela do ônibus. "Por que nunca encontro fulano na estação de BRT da Praça do De...