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Fogos-fátuos

Cely olhava a prateleira cheia de pães, enquanto segurava o pires com a xícara vazia, a borra do café espalhada no fundo não traduzia nada de sua sorte. Pensava em silêncio, imersa no vai e vem da padaria que ficava próxima ao porto do Recife. Pensamentos perfuravam sua mente, porque não eram simples ideias novas e abstratas, mas memórias singulares que forjavam a sua personalidade como ferro quente marca a pele áspera de um boi. 
E a dor não existia mais, é verdade. Cely estava muito bem vestida, perfumada, cabelos pintados de luzes, com uma bolsa cara sobre a mesa, um carro importado estacionado na porta da padaria, filhos crescidos estudando numa boa escola, um bom marido… Mas o que lhe tomaram foi o tempo. E isso não se recupera, por isso Cely vagava de vez em quando. Hesitava como se gastasse, agora, a maior parte do seu novo tempo para pensar como teria sido a vida. Cely acordava na madrugada, enquanto o marido dormia longamente; ela se perdia na insônia infinda e até recriminava…

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