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Detrás dos olhos atônitos

Mário fitava detidamente a xícara de café, sem reparar nada em volta. Era mais um dia chuvoso no Recife, porém nesse instante caía apenas uma neblina. A sutileza da fumaça que emergia do café contrastava com a imagem do atropelamento que ele presenciara alguns minutos antes, na Avenida Conde da Boa Vista. Mesmo sem ter tido nada a ver com o caso, Mário tinha dificuldades em não se culpar pelo acontecido.
Ele esperava o ônibus, o clima abafado estressava as pessoas, aquelas paradas elevadas e compridas dificultavam a passagem dos transeuntes. Mesmo assim, Mário pensava que aquele era um dia agradável para pensar sobre a vida, talvez iniciar um ciclo de cuidado com a saúde, a ideia de escrever um livro, coisas assim. Estava inspirado, apesar do céu acinzentado.
A uns cinco metros, uma senhora dessas maçantes discutia com um rapaz que insistia em fumar no meio daquele pequeno aglomerado. Não demorou muito para que se elevassem os ânimos, o tom de voz, a atenção das pessoas se direcionasse…

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